PREVENÇÃO DE DOENÇAS NA INFÂNCIA
Prevenção da anemia ferropriva

   A anemia ferropriva é uma das síndromes carenciais mais freqüentes da infância. Ocorre somente entre os seis meses e os seis anos de idade. Não deve ser confundida com a anemia fisiológica, que aparece em torno do terceiro mês de vida (e não responde a tratamento); nem com as graves anemias hereditárias, que persistem após esta época.

    O termo ferropriva significa simplesmente privado de ferro. O ferro é elemento essencial na constituição da hemoglobina (a proteína carregadora de oxigênio existente nas hemácias do sangue). Na ausência de ferro, a medula óssea não produz hemoglobina, o que, clinicamente, se traduz na anemia ferropriva.

    A anemia ferropriva, isoladamente, não é doença grave, que possa levar à morte. A carência de oxigênio nos tecidos, no entanto, está relacionada a vários fatores depreciativos, como o retardo do desenvolvimento neurológico, a falta de apetite, e um certo déficit no sistema imunológico.

    A anemia ferropriva está presente em todas as partes do mundo, tanto em países desenvolvidos, como no terceiro mundo, pois não é doença relacionada à miséria. Também não está relacionada às parasitoses urbanas comuns, nem à desnutrição, nem ao uso de medicamentos ou antibióticos.

    O grande causador da anemia ferropriva é o excesso de ingestão de leite de vaca. Estudos norte-americanos demonstram a relação direta entre a ingestão diária de mais de 900ml de leite de vaca e o aparecimento da anemia ferropriva .

    Existem várias razões pelas quais o excesso de leite de vaca pode provocar a diminuição de ferro no organismo. Entre elas, o baixo teor de ferro, a baixa biodisponibilidade (capacidade de ser absorvido pelo sistema digestório) e, sem dúvida a maior de todas, o sangramento da parede intestinal provocado pelas proteínas do leite de vaca .

    Sob este prisma, a anemia ferropriva é considerada conseqüência direta de um erro alimentar. O fato é que, em nossa sociedade, o fornecimento de grandes quantidades de leite de vaca à criança perfeitamente apta a ingerir alimentos sólidos é paradigma cultural. Junte-se a isso a conotação afetiva da sucção ao bico da mamadeira (que relembra o seio), a facilidade do preparo da mamadeira e a rapidez com que é ingerida.

    O primeiro passo, portanto, no tratamento da anemia ferropriva, é o da mudança de hábitos alimentares. O ideal é que a criança ingira, no máximo, duas mamadeiras de leite por dia e aumente a ingestão de alimentos sólidos ricos em ferro, como as carnes vermelhas, o fígado, os miúdos do frango, a soja , o feijão, as ervilhas, as lentilhas e a abóbora.

    Uma medida útil, mas não definitiva, é trocar o leite integral por um preparado em pó maternizado, enriquecido de ferro. Nos casos resistentes, se a criança aceitar, podem-se utilizar preparados à base de soja.

    O tratamento clínico da anemia ferropriva sempre é realizado com a administração de preparados à base de ferro e deve durar, no mínimo, quatro meses, a fim de que o organismo tenha chance de repor todos os estoques exauridos. No entanto, se a criança continuar a ingerir grandes quantidades de leite, dificilmente vai obter a cura definitiva e a anemia ferropriva tornará a aparecer.