PASSO A PASSO DO DESENVOLVIMENTO INFANTIL
Estimulando o desenvolvimento de dezoito a vinte e quatro meses

    Nesta fase, as principais características da personalidade da criança estão delineadas e os bebês apresentam diferenças marcantes entre si, em relação ao comportamento e às reações afetivas. O conhecimento das características individuais e a sensibilidade para lidar com elas é de fundamental importância para o desenvolvimento harmonioso dos padrões psíquicos e intelectuais que serão adquiridos a seguir.

    A criança já possui compreensão verbal e não-verbal complexa para quase todas as mensagens faladas ou não. Interpreta reações emocionais, integra-se socialmente com determinadas pessoas do seu círculo, obedece a ordens e comandos, pede e, às vezes, ordena, explora ativamente o ambiente, tem objetivos estabelecidos dentro das ações, procura meios para solucionar problemas, é curiosa, imita os adultos, tem rotina estabelecida, aceita desafios, assume papéis conhecidos, experimenta alternativas, pára para pensar e analisar o que lhe intriga, quer participar das ações dos familiares, é persistente, utiliza de ações repetitivas para adquirir conceitos complexos, constrói e destrói pilhas de objetos, frustra-se quando se descobre limitada pela própria coordenação motora para atingir seus objetivos, mas sabe pedir ajuda.

    Em casa, é importante não excluir a criança das atividades sociais e familiares; pelo contrário, é bom estimular a sua participação. O elogio é mais importante ainda para a construção de sadia auto-imagem e deve tornar-se rotina, mesmo que a criança não atinja os resultados esperados pelos adultos. A pior coisa que os pais podem fazer é mostrar frustração, decepção ou recriminarem a criança que tenta alcançar um objetivo e não consegue, mesmo porque a coordenação motora ainda deixa muito a desejar.

    A verbalização da fantasia infantil começa a se exacerbar e o faz-de-conta será mais regra do que exceção. A participação dos pais na brincadeira é muito importante para a implementação da capacidade imaginária. Um grave erro é tentar ser estritamente racional e insistir em corrigir a criança. Se a colher for vista como um carro ou a mão como um bicho, é sinal de saúde e maturação neuro-psicológica. Os pais poderão notar também ótimo senso de humor voltado principalmente para a temática do absurdo. Um exemplo divertido é trocar os nomes das pessoas, dizendo que o bebê é o papai, o papai é a mamãe e a mamãe é o bebê. O absurdo faz a criança rir e, às vezes, cair na gargalhada.

    No campo da linguagem, os pais devem insistir em falar corretamente e em empregar enfaticamente a conjugação dos tempos verbais. Presente, passado e futuro se confundem na comunicação e tal aspecto pode e deve ser corrigido e enfatizado.

    O estímulo à integração e convivência social será valiosa ferramenta na diversificação das atividades da criança. A socialização, através da convivência com pessoas e crianças que não pertençam ao restrito círculo familiar, terá o grande poder de enriquecer as experiências psico-cognitivas, ampliando os horizontes e as perspectivas restritas do ambiente doméstico. As atividades programadas, dirigidas e realizadas, em escolas maternais, por pedagogas devidamente habilitadas, conseguem extrapolar em muito as possibilidades do ambiente doméstico. Quando a mãe precisa trabalhar, essa será sempre a alternativa mais interessante do que a clássica solução de deixar a criança com a babá ou com a avó, que, apesar das boas intenções, nem sempre têm fôlego para acompanhar as atividades da criança ou os recursos pedagógicos disponíveis na escola especializada. Mesmo quando a mãe tem tempo para ficar com a criança, é esta uma boa idade para se começar a cortar os vínculos, estimulando a independência afetiva da criança. O tempo ideal para freqüentar a escolinha é de meio período, pela manhã ou à tarde, de acordo com os horários de sono da criança.

    A escola maternal, além de preparar os recursos cognitivos e motores para as fases seguintes de escolaridade, também acostumam a criança à convivência escolar, eliminando aquela antiga e terrível fase de adaptação e o pavor do primeiro dia de aula.