PASSO A PASSO DO DESENVOLVIMENTO INFANTIL
Estimulando o desenvolvimento de doze a quinze meses

    A partir desta idade, a criança tem formada a estrutura básica da língua materna, podendo entender grande parte do que lhe seja dito. Começa aí o exercício de transferência do padrão sensorial auditivo para outra área cerebral motora, que, coordenando a musculatura respiratória, articular e laríngea, vai tentar reproduzir o sistema de sons armazenados, permitindo a comunicação verbal.

    Durante o processo de elaboração motora do vocabulário, devido à dificuldade de controle do aparelho fonador, a criança vai falar errado e trocar a maioria dos fonemas. Os pais podem ter dificuldade para entender a mensagem da criança. Com um pouco de tempo, cria-se um vocabulário paralelo que, no momento inicial, se presta muito bem para a comunicação. Nesta fase, os pais não devem tentar corrigir o que a criança diz, sob o risco de inibir o momento mágico da aquisição da linguagem, e também não devem cair no extremo oposto, que é adotar os termos infantis utilizados pelo bebê para continuar a comunicação, sob o risco de reforçar os erros estruturais e alterar a estrutura sensorial auditiva.

    A correção da estrutura de linguagem só deve ser feita à medida que os pais percebam que a criança consiga articular o fonema alterado. Por exemplo, um bebê pode iniciar a aventura lingüística pedindo água através da palavra aba. Os pais devem entender e dar o que a criança solicita, reforçando a pronúncia correta, sem insistir. Mais tarde, quando os pais perceberem que a criança consegue, por exemplo, falar a palavra gato, então devem iniciar a correção de aba para aga e, mais tarde, para água, sempre respeitando as possibilidades da criança.

    Nesta fase, os pais também podem iniciar sutilmente algumas noções mais elaboradas, como quantidades pequenas. Diferenças entre um, dois ou três objetos de mesma espécie podem ser demonstradas, lembrando sempre que este tipo de aprendizado nunca deve ser cobrado. Apesar de a criança ter a capacidade de apreender não-verbalmente as noções, ela pode não ser capaz de elaborar verbalmente os conceitos. Noções espaciais, como em cima e embaixo, na frente e atrás, também podem ser introduzidas. Os brinquedos habituais podem auxiliar o aprendizado.

    Na área motora, nota-se melhora progressiva da coordenação, tanto na deambulação, como na manipulação de objetos. A criança começa a andar com autonomia, iniciando-se a fase mais perigosa da existência humana. Ao mesmo tempo em que a criança tem necessidade de explorar o ambiente e conquistar o espaço tridimensional, pode estar exposta aos mais diversos riscos, como quedas, cortes, intoxicações etc. O ideal é existir uma liberdade vigiada, com a eliminação sistemática de todos os riscos e perigos.

    Para estimular a coordenação motora fina, nada melhor que os brinquedos de encaixar mais simples ou a brincadeira de guardar objetos em pequenas caixas. A criança, que antes agarrava os objetos, vai começar a utilizar o polegar para segurar os brinquedos e, depois, pegar pequenos objetos, utilizando o indicador e o polegar como pinça. Ao fornecer pequenos objetos à criança, sempre tomar o máximo de cuidado para que não exista a possibilidade de serem deglutidos ou inalados, causando lesões internas no bebê.