Estimulando o desenvolvimento neurológico do lactente
Inteligência

    Inteligência é a capacidade de processar informações. O elemento básico para este processamento é a capacidade associativa. Podemos então dizer que a inteligência pode ser definida como a capacidade de associar informações. Informações são estímulos bioenergéticos originados nos órgãos sensoriais que chegam ao sistema nervoso central através dos nervos. Ao serem levados ao cérebro, os estímulos bioenergéticos são codificados e armazenados em áreas específicas, onde se interpretam e se diferenciam as informações provenientes de um mesmo órgão sensorial.

    Por exemplo, enquanto você está lendo este texto, seus olhos estão recebendo raios de luz, que percorrem o espaço atingindo a retina do seu olho. Na retina estes raios de luz estarão estimulando células fotoelétricas, que originarão impulsos elétricos através do nervo óptico, que serão conduzidos à região occipital do cérebro, onde serão interpretados como informações.

    Vejamos por exemplo como isto se processa na mente de uma criança. Suponhamos que uma determinada criança nunca tenha ouvido na vida a palavra "cachorro". Seu cérebro está virgem desta informação. Se esta criança avistar um cachorro, ficará abismada, sem saber o que fazer com esta informação visual. Se este cachorro latir, digamos "au-au", então a criança estará recebendo concomitantemente uma outra informação de natureza completamente diferente da informação visual, que é a informação auditiva. As duas informações tem projeções diferentes no cérebro. Enquanto que as informações provenientes do sistema visual projetam-se na área 17 de Brodmann nos lábios do sulco calcarino no lobo occipital; as informações auditivas projetam-se na área 41 de Brodmann no giro temporal transverso anterior. Por receber as duas informações concomitantemente o cérebro estabelecerá uma associação entre a região visual do cérebro e a região auditiva do cérebro de modo a associar as duas informações. Deste modo, quando escutar novamente o som "au-au", esta criança formará imediatamente em sua mente a imagem visual do cachorro. Então, em sua mente, a criança vai reconhecer o som "au-au" como próprio do cachorro. Isto se chama inteligência. Note também, em você mesmo, que logo após ter visto com seus olhos a palavra "cachorro" neste texto, imediatamente o seu cérebro associou esta informação a uma série de outras informações visuais, auditivas e até mesmo emocionais, que definem para você o que significa a palavra "cachorro".

    Compreender, neurolingüísticamente falando, significa associar informações de modo a construir um conceito. Sobre este conceito, o cérebro vai associar outras informações, de modo a desencadear um processo, levando a uma resposta adequada. O uso adequado destes sistemas associativos, seja para a formação de novos conceitos, seja para a resolução de problemas, é que define o que chamamos de inteligência. As informações armazenadas isoladamente não têm valor nenhum, se não forem correlacionadas entre si de maneira a produzir um sistema operacional que possa ser evocado e utilizado dentro de situações específicas.

    A capacidade de associar informações provenientes de diferentes sistemas sensoriais é o primeiro passo na elaboração desta complexa rede interativa que é a mente humana. Podemos dar outro exemplo: ninguém jamais vai compreender o que significa a palavra banana se nunca tiver visto, tocado ou degustado uma. Quando pensamos banana, estamos associando a um estímulo auditivo, um estímulo visual, um estímulo tátil e um estímulo gustativo e nosso cérebro trabalha um conjunto de informações sensoriais que definem banana.

    Quando compreendemos algo estamos associando informações para construir um conceito. Sobre este conceito, o cérebro associa outros conceitos e informações elaborando um processo ou um comportamento. Por exemplo, a visão de uma banana pode desencadear os seguintes processos: "Estou com fome?;, "Eu gosto de comer banana?"; "Eu quero comer banana?"; "Como descascar a banana?"; "Quais as possibilidades de uso da casca da banana?"; "Como vou comer a banana?". O uso adequado destes sistemas associativos, seja para a formação de novos conceitos, para a elaboração de processos, ou para a resolução de problemas, é que define o que chamamos de inteligência.